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São João de Latrão: a basílica “oficial” do papa, seu claustro e batistério

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Apesar da Basílica de São Pedro ser a mais visitada e a mais famosa das quatro basílicas papais romanas, a de São João de Latrão é a única que pode ser considerada Catedral, ou seja a cátedra do bispo de Roma, o Papa.

Por certos pontos de vista Roma é uma cidade “turisticamente estranha”. Nem sempre o que é melhor ou mais bonito é o mais visitado, e muitas atrações que dão o azar de ficar perto de atrações consideradas “fundamentais”, daquelas que “você tem que visitar”, acabam passando inobservadas e totalmente desconhecidas pela maioria dos visitantes, quer turistas, quer moradores da cidade.

Crédito: Tango 7174 – Licença: GFDL

Em Roma, enquanto a Basílica de São Pedro atrai aquela multidão de fiéis, pelo menos outras duas basílicas passam meio “esquecidas”: a de São Paulo e a de São João. Um dos fatos mais interessantes é que muitos pensam que a “basílica oficial” do Papa seja aquela de São Pedro, no Vaticano. Por óbvias razões, é claro.

Mas a igreja do bispo de Roma, portanto, uma catedral, é a Basílica de São João de Latrão, ou, em italiano: San Giovanni in Laterano.

Também conhecida como Arquibasílica papal de Roma, Catedral de Roma, Mãe de todas as igrejas, seu nome oficial é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador), nome anterior ao atual.

Ela foi a primeira das quatro basílicas papais a ser construída e é dedicada a dois São Joãos: São João Batista e São João Evangelista (apóstolo de Cristo e autor do evangelho).

Estando a poucos quilômetros do Coliseu, das Termas de Caracalla e da Via Ápia Antiga, imaginem que, como é o caso de quase todos os edifícios do centro de Roma, ela foi construída em cima de ruínas romanas. Aqui se situava o quartel da cavalaria do imperador Septímio Severo e posteriormente (séc. I d.C.) foi construído um palácio, chamado Palácio Laterano, sobrenome da família proprietária.

Sucessivamente, Constantino (o mesmo que construiu a primeira basílica de São Pedro) cedeu o palácio ao bispo de Roma. Dentro deste palácio, que era mesmo a casa onde o Papa morava, foi construída a basílica.

O prédio passou por pelo menos três grandes reconstruções: em 897 foi quase destruído por um terremoto. Em 1308 e 1360 sofreu dois grandes incêndios. Em 1993, a Máfia colocou um carro-bomba na frente da basílica, destruindo a fachada. Isso porque o Papa, em uma viagem à Sicília, havia feito um sermão contra as associações mafiosas.

Além da sua história e importância o que chama à atenção nessa basílica que, para nosso estupor, está quase sempre vazia?


O que ver na basílica de São João de Latrão?

Tenho algumas preferências do que sempre me captura quando vou à Basílica. Compartilho com vocês, esperando que também possam apreciar:


As portas centrais de bronze do séc. I a.C.

As portas centrais de bronze na verdade eram as portas originais da Cúria Romana, um dos poucos prédios do Fórum Romano que permanece de pé até hoje.


A estátua gigante de Constantino

A estátua do Imperador Constantino decorava as Antigas Termas de Constantino, localizadas na área do Quirinale, que fica nos arredores da Fontana di Trevi.


O obelisco egípcio na lateral da basílica

Na praça ao lado da basílica existe um dos treze obeliscos egípcios antiquíssimos, trazidos para Roma a mando dos Imperadores Romanos. Ele é conhecido como Obelisco Lateranense. É o mais alto de todos os obeliscos egípcios de Roma. Datado do séc. 15 a.C., o que faz dele um dos obeliscos mais antigos exibido mundo afora.


Um afresco atribuído a Giotto

A basílica possui um fragmento de um afresco (Papa Bonifácio VIII proclamando o Jubileu de 1300) do séc. XIV, atribuído a Giotto.


A ábside e os tetos riquíssimos de detalhes decorativos

Observe a riqueza de detalhes das cenas religiosas nos mosaicos da ábside (ou abóbada) e das capelas laterais. Além da riqueza decorativa dos tetos dourados.

Uma pequena curiosidade: essa decoração do teto (flores em baixo relevo) era uma moda já na época dos antigos romanos ricos. Muitos faziam rebaixamento de teto e, para esconder o teto de madeira, usavam um teto de gesso com essas rosas.

O baldaquino

Todos sabemos que o baldaquino mais famoso de Roma é aquele projetado por Bernini, e que se encontra na basílica de São Pedro. Mas o de São João em Latrão, projetado no final do séc. XIV por um artista praticamente desconhecido, chamado Giovanni di Stefano, não fica atrás.


 O primeiro batistério do mundo

O batistério lateranense é o primeiro batistério do mundo, e serviu de modelos para todos aqueles que foram construídos depois. Tive a sorte (e a honra!) de ser convidada para um batizado celebrado lá e é um lugar lindo!

Foi construído por volta de 315 d.C. por Constantino, que teria sido batizado ali, quando por motivos políticos decidiu converter-se ao cristianismo. Seu objetivo era que todos os cristãos tivessem, finalmente, um lugar digno onde se batizar, sem que para isso precisassem se esconder.

Fonte: Batistério Lateranense

O claustro medieval

Também é possível visitar o claustro medieval da basílica. Durante a idade média ali existia o maior mosteiro de Roma, habitado por monges beneditinos. O que nos chama imediatamente a atenção ao visitar o silencioso claustro são as colunas retorcidas decoradas com mosaico em estilo cosmatesco, além dos corredores do claustro serem um verdadeiro museu de achados romanos.

Por toda parte, nos corredores que circundam as colunas do claustro encontramos placas, inscrições, túmulos, romanos e interessantíssimas placas medievais com inscrições em latim.

Todos esses objetos antigos foram encontrados durante escavações ou eram acervos dos muitos séculos de existência da basílica, então são objetos “locais”.

Reserve um pouco do seu tempo para observar esses fantásticos objetos romanos antigos, alguns com pelo menos dezoito séculos de história.


Antigas muralhas e portas de Roma

Alguns metros do lado esquerdo da basílica, afogada pelo tráfego romano, se encontra um inteiro pedaço das muralhas Aurelianas. Construídas pelo imperador Marco Aurélio entre os anos 271 e 275 d.C., tinham como função defender a cidade de Roma contra invasores.

Nela vemos a Porta San Giovanni, porta construída no séc. XVI para substituir a porta Asinaria, que era a porta original da muralha. A Porta Asinaria está dentro do pedaço de muralha que fica dentro das grades logo à direita dos três arcos mais à direita da Porta San Giovanni.


Basílica de São João em Latrão

Site: http://www.vatican.va/various/basiliche/san_giovanni/it/basilica/storia.htm

Endereço: Piazza di San Giovanni in Laterano 4

Dias e horários: Todos os dias, das 7 às 18:30

Claustro: das 9 às 18h. Preço: 5 euros

Batistério: das 7 às 12:30 e das 16 às 19h. Preço: 5 euros. No site: http://www.battisterolateranense.it/ há os horários das missas, quando a entrada é gratuita. Você pode assistir uma missa no batistério mais antigo do mundo!

Como chegar: metrô A, parada San Giovanni. Para quem gosta de caminhar: saindo da Basílica de Santa Maria Maggiore e prosseguindo na rua bem em frente (Via Merulana) até o fim, vocês chegam à Basílica de San Giovanni in Laterano (nome em italiano). Quem estiver hospedado em Termini, chega facilmente a pé.


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