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Fundação de Roma: A Lenda de Rômulo e Remo

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Segundo as lendas, fontes antigas e tradição literária, Roma foi fundada na metade do oitavo século antes de Cristo, com uma data institucional, escolhida séculos depois, à época do Imperador Augusto: 21 de Abril de 753.

Três fontes antigas fundamentais sobre a fundação de Roma são:

  • Tito Lívio, historiador que viveu no primeiro século antes de Cristo, e escreveu um livro, em volumes entitulado: História de Roma desde a sua fundação;
  • Plutarco, historiador que viveu entre o primeiro e o segun do século depois de Cristo, e escreveu um livro em volumes, entitulado: Vidas Paralelas, na parte dedicada à vida de Rômulo;
  • Dionísio de Alicarnasso, historiador que viveu no primeiro século antes de Cristo, e escreveu um livro entitulado: História da Roma Arcaica.

Não são as únicas, mas são fontes que podemos dizer abrangentes e “enciclopédicas”, então possuem muita informação, escritas por quem viveu alguns séculos depois da fundação da cidade.

Pintura de Cavalier D’Arpino, na Sala dos Conservadores (Museus Capitolinos), o momento em que Rômulo e Remo são encontrados por Faustolo. Foto: Shutterstock por Jacqueline Cooper

A fundação legendária de Roma: A loba que amamenta os gêmeos Rômulo e Remo

A origem de Roma está ligada ao evento mitológico que envolve os gêmeos Rômulo e Remo, que após serem salvos de morrerem afogados no Rio Tibre, foram amamentados pela loba, que vivia no lupercal, uma caverna no Palatino.

Mas vamos entender um pouco essa lenda desde o início. Ela narra que:

Proca, rei de Albalonga, tinha dois filhos: Amulio, o primogênito e Numitor, o filho mais novo.

Apesar de Amulio ser o primogênito, o rei Proca viu que para o bem do povo e devido à sua índole boa e justa, seria melhor que o filho mais novo fosse rei. Esse era seu desejo aclamado.

Quando Proca morreu, Amulio ignorou o desejo do pai, e roubou o trono ao irmão Numitor.

Rômulo e Remo amamentados pela loba. Pieter Paul Rubens (1612), Pinacoteca Capitolina

Amulio não somente usurpou o trono, fez uma emboscada na qual morreram todos os seus sobrinhos. Só poupou a vida da sobrinha Rea Silvia, porque sendo mulher ela não teria direito ao trono. O que ele não sabia é que seu irmão tinha sobrevivido à emboscada, mas decidiu se exilar e fundar outra cidade.

Quanto à sobrinha, obviamente, mesmo não tendo direito ao trono, ela poderia se casar, ter filhos e junto com o marido reivindicar o trono de seu pai. Afinal ela era uma princesa.

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Amulio não queria correr esse risco e obrigou a sobrinha Rea Silvia a se tornar uma sacerdotisa de Vesta. O que era uma enorme honra e responsabilidade. As vestais tinham que permanecer virgens, caso contrário seriam condenadas à morte.

Portanto, após ter dado cabo do irmão, dos sobrinhos e “castrado” a sobrinha, parecia que Amulio não teria ninguém para lhe tirar do poder. Mas o que ele não esperava era que Rea Silvia se apaixonaria por Marte, Deus da guerra e engravidaria de gêmeos!

Quando Amulio soube que a sobrinha estava grávida, mandou seus guardas a perseguirem e quando ela deu a luz, os guardas do rei deixaram os bebês à própria sorte às margens do Rio Tibre. Assim morreriam de fome ou mesmo afogados.

Rômulo mata Remo. Agostino, Annibale e Ludovico Carraci (1590). Palazzo Magnani, Bologna.

Os gêmeos sobreviveram milagrosamente, graças à loba, que descendo da sua caverna (o lupercal), aos pés do Palatino, os amamentou.

O rio, que era considerado uma divindade, foi protagonista desses milagre, evitando que a sua corrente e as suas águas matassem os filhos de Marte.

Em seguida os mesmos foram adotados por um pastor de ovelhas e por sua esposa, a dizer Faustolo e Acca Larentia, que já tinham vários outros filhos.

Tibre, o rio mitológico, com seu braço apoiado na loba que amamenta os gêmeos. Praça do Campidoglio. De: Kiev Viktor

Quando já adultos, “por casualidade do destino”, Rômulo e Remo encontrarão o avô Numitor, expulsarão o tio usurpador do trono, e decidirão fundar uma nova cidade exatamente no lugar onde foram salvos da loba.

Na briga por quem será o rei, Rômulo mata Remo, e assim será o primeiro rei de Roma.

Essa história, por mais que seja mitológica, já estava bem sedimentada nas origens bibliográficas de Roma pelo menos já entre o III-II séc a.C.

Enéias e Tróia: a legitimação da fundação de Roma à época do Imperador Augusto

Quando Otaviano, sobrinho-neto de Júlio César subiu ao trono de Roma com o título de Augusto e primeiro imperador, resolveu fazer uma grande propaganda política sobre as origens de Roma.

Augusto, o Deux ex Machina da história da fundação de Roma. Foto: Shutterstock por Gilmanshin

Mas para propagandear a fundação de Roma, era necessário enriquecer a história com detalhes mais precisos, com uma certa pesquisa histórica. E também enobrecer a origem da cidade.

Portanto é nesse período do império de Augusto (27 a.C. a 14 d.C.) que foram reunidos historiadores, poetas, antiquários (historiadores antigos que utilizavam as datas cronológicas como reconstrução) para saber quando Roma foi fundada.

Uma das principais fontes para se chegar ao cálculo do século certo e da data de 753, foram os escritos e as pesquisas do erudito Marco Terenzio Varrone, o que inclusive é confirmado por Cícero nos seus escritos.

21 de Abril era uma festa religiosa muito antiga: Parília ou Palília, dedicada à divindade Pales, protetora dos rebanhos e dos pastores. Como Rômulo era um pastor, antes de ser rei de Roma, talvez daí o fato da data da fundação da cidade ser escolhida no dia de uma festividade religiosa relacionada.

Como no cinema, foi construído um “prequel” da história de Roma, ligando o rei Proca ao legendário herói troiano Enéas.

A fundação de Roma no poema épico Eneida

Virgílio era um poeta latino muito famoso e já tinha publicado duas séries de poemas: Bucólicas (37 a.C.) e Geórgicas (30 a.C.).

O consenso e sucesso que suas obras obtiveram, fizeram com que o imperador Augusto confiasse a ele a escritura de um poema épico, no mínimo à altura da Ilíada e da Odisseia, contando a história mitológica que liga as origens de Roma aos troianos. Assim nasce o poema épico Eneida.

Ele começou a escrever o poema em 29 a.C., e quando morreu, dez anos depois, o poema ainda estava incompleto.

Virgílio não queria que o poema fosse publicado incompleto, mas vocês acham que Augusto respeitou a sua vontade? Claro que não! Assim, foram publicados 12 cantos.

Em linhas gerais, a narração conta que, Enéas após fugir de Troia carregando nas costas seu pai anquises, seu filho Ascânio, e a esposa Creuza navega pelo mediterrâneo e após muitas peripécias, chega à costa do Lácio.

Enéas fugindo de Troia, com Anquises e Ascânio. Gian Lorenzo Bernini (1618-1619), Galleria Borghese

No meio do caminho Creuza morre e Enéas tem que fugir do amor de Dido, em Cartago, amor esse que termina em tragédia!

Ao ver a foz do Rio Tibre, decide que esse é o lugar ideal para atracar.

Pede asilo político ao rei Latino, que dá a mão da sua filha Lavínia ao viril guerreiro troiano, que era filho de um mortal (Anquises), mas sua mãe era a deusa Vênus.

Lavinia já estava prometida a outro homem. Então Hera, faz de modo com que aconteça uma guerra pela mão da princesa. Obviamente o vencedor será Enéas.

Da união de Enéas com Lavinia, nasce Silvio, que quando adulto, fundará uma nova cidade: Albalonga. Dessa descendência, onze gerações mais tarde nascerá o rei Proca. E quatorze gerações mais tarde, os gêmeos Rômulo e Remo.

Já o filho Ascânio, que era chamado Iulo pelos latinos, será aquele que dará vida à gens Iulia, ou seja, os Júlios, dos quais a família de Júlio César reivindicará a origem do seu clã.

Arqueologia e história além da ficção

Mas o que os historiados e arqueólogos conseguem peneirar de toda essa história para lá de mitológica?

As escavações feitas no Fórum Romano, mas sobretudo no Palatino, confirmam que, sim, existia um vilarejo exatamente no lugar e exatamente do mesmo século da fundação de Roma.

O consenso é que apesar de a data da fundação ser fictícia, Roma foi fundada no oitavo século antes de Cristo, provavelmente entre 760 e 740 aC.

No que diz respeito à loba que amamenta os gêmeos, os historiadores chegaram à conclusão que: Acca Larentia era uma lupa. A palavra lupa tem dois significados: loba (animal) e prostituta.

Portanto, os gêmeos que fundaram Roma eram homens simples, filhos de uma prostituta que morava no Palatino. Muito provavelmente o lupercal (a caverna da loba), era nada mais, nada menos do que o prostíbulo onde Acca Larentia recebia seus clientes.

Em base às escavações no Palatino, foi construído o protótipo das cabanas, como aquelas em que moravam Rômulo e Remo.

Porém, para dar origens nobres à fundação de Roma, foi criada uma lenda mais do que mitológica envolvendo a figura dos gêmeos.

++ Museu Palatino: conhecer Roma desde a pré-história

Uma ótima fonte bibliográfica para compreender “de perto” a fundação de Roma, é visitar o Museu Palatino, que fica dentro do Palatino. A entrada não está mais incluída no ingresso simples do Coliseu, Fórum Romano e Palatino, mas é necessário comprar um ingresso que se chama SUPER.

A provável origem do nome Roma

Muitos se perguntam qual é a etimologia do nome Roma. Algumas teorias são:

Rômulo fundou uma cidade cujo nome se parecesse com o seu nome

Roma viria da palavra etrusca Rumon, o nome primitivo do Rio Tibre. Ou seja, a cidade que nasceu às margens do Rio Tibre. Deste modo, Rômulo poderia na verdade ter um outro nome, e o mudou para combinar com o da cidade.

Por fim, outra explicação é que pelo fato de a loba amamentar os gêmeos, o nome da cidade era ligado ao termo “mama, seio, amamentar”, que em latim arcaico era ruma.

Fontes Bibliográficas:

Museu do Palatino

Storia romana, PANI M. e TODISCO E.; Editora: Carocci

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Luciana Rodrigues
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