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Obeliscos de Roma além da Múmia e Pirâmide na Cidade Eterna

Os Obeliscos de Roma marcam uma época importante na história da cidade. Cada época tem a sua moda. No período que vai do primeiro século antes de Cristo até mais ou menos o terceiro século depois de Cristo, o Egito “lacrou” e os antigos romanos literalmente “piraram” pelas tradições desse imenso e requintado país. Saiba como e porquê.

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A Pirâmide Cestia, no início da Via Ostiense, e ali à direita a antiga Porta San Paolo e as muralhas aurelianas, construídas depois da pirâmide.

E tudo começou com Cleópatra…

Cleópatra conquistou o coração de dois dos maiores homens políticos de todos os tempos: Júlio Cesar e Marco Antonio.

Quando César avança na conquista do Egito, muitos dizem que Cleópatra conseguiu seduzi-lo imediatamente e viraram amantes no primeiro dia em que se encontraram. Ela teve um filho com César, se mudou para Roma (onde introduziu uma nova moda de penteado na alta classe das mulheres romanas). Quando César foi assassinado em 44 a.C., sem deixar nem uma herança para seu filho com Cleópatra, essa, desiludida, e sem apoio político, decidiu voltar para o Egito.

Mas essa novela ainda durou muitos capítulos…

Após a morte de César morreu, o poder foi assumido por um triunvirato: Marco Antonio, Otaviano (sobrinho neto de César e futuro imperador com o nome de Augusto) e Lépido.

Antonio e Cleópatra se apaixonaram perdidamente (ou politicamente?!). O problema é que Marco Antonio era cunhado de Augusto que, tanto por motivos políticos, como por “honra familiar” tramou logo uma solução para dar cabo a essa love story. Principalmente porque, à diferença de César, Marco Antonio pensou em criar uma espécie de “Império Romano do Oriente” tendo como reis, ele e Cleópatra.

Para concluir: Augusto lutou contra Marco Antonio e Cleópatra, e os venceu, na Batalha de Áccio, dominando também o Egito, que a partir de 30 a.C. virou uma província romana.

Apesar da dominação política, os romanos estavam completamente embasbacados pela riqueza, requinte, cultura e tradições, culto aos deuses e avanço tecnológico da cultura egípcia.

A Pirâmide Cestia

Um dos maiores exemplos da “moda egípcia” em Roma é a Piramide Cestia ou Piramide de Caio Cestio. Construída entre 18 e 12 a.C. por Caio Cestio Epulone, para ser seu jazigo perpétuo, assim como faziam os egípcios.

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Construída com a fachada externa de puro mármore de Carrara, a pirâmide Cestia mede 36 metros e meio de altura e o jazigo no seu interior é bem pequeno, com as paredes decoradas por afrescos. Nunca foi encontrado um sarcófago ou túmulo, o que leva a pensar que Caio Cestio foi cremado e no local foram depositadas apenas as suas cinzas.

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O ambiente interno é pequeno, só podem entrar grupos de no máximo 10 pessoas. As paredes eram cobertas com afrescos de vitórias aladas (Nike) e de potes de ouro.

Mas se a “moda egípcia” inspirou a construção de túmulos em forma de pirâmide por parte de cidadãos romanos ricos, também encontramos múmias e muitos obeliscos espalhados pela cidade. Segundo as fontes históricas, havia pelo menos mais três pirâmides funerárias em Roma: uma na Via della Conciliazione (a rua que liga a marginal do Tibre à Praça São Pedro) e outras duas na Piazza del Popolo, exatamente onde se encontram as duas “igrejas gêmeas”.

Se uma pirâmide parece uma coisa muito exótica, espere até saber sobre todos os obeliscos de Roma espalhados pela cidade…

Visitação e Como Chegar:

A Piramide Cestia pode ser visitada quatro vezes por mês e nos finais de semana: nos segundos e quartos sábados e nos segundos e quartos domingos do mês. As visitas podem ser reservadas no site www.coopculture.it ou na bilheteria do Museo della Via Ostiense, também conhecido como Museo di Porta San Paolo. O meu passeio guiado com uma associação cultural local custou 12 euros.

Chegar lá é muito fácil: a Pirâmide fica logo do lado de fora da parada Piramide do metrô B, e está pertinho do bairro Testaccio, do bairro Ostiense e da famosa Eataly Ostiense. Ademais, ela fica a somente duas paradas de metrô da Basílica de São Paulo Extra Muros, e também fica no caminho de ida (e volta) para quem vai a Ostia Antiga.

Os nove obeliscos de Roma trazidos do Egito

Existem nove obeliscos de Roma que foram trazidos para cá, em várias épocas, por diferentes imperadores romanos. Isso faz com que Roma seja a única cidade do mundo, fofa do Egito, com um grande número de obeliscos antigos. Além desses nove, há outros obeliscos de Roma “quase egípcios”, porque na verdade são réplicas.

Obelisco Vaticano

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O Obelisco Vaticano da Praça São Pedro, se encontrava no Circo de Calígula (parte do circo ficava onde hoje está o lado esquerdo da basílica de São Pedro). Ele estava em Heliópolis, depois foi levado para Alexandria, e Calígula o trouxe para Roma em 40 d.C. Ele também decorou o Circo de Nero e em 1586 foi colocado no centro da Praça São Pedro.

Obelisco Lateranense

Esse obelisco está em frente à Basílica de São João em Latrão (San Giovanni in Laterano) e é do séc XV a.C. Foi trazido para Roma em 357 d.C. pelo Imperador Constâncio e foi colocado no Circo Máximo, junto com o já existente Obelisco Flamínio.

Obelisco de Montecitorio

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Construído em 590 a.C., encontrava-se na cidade de Heliópolis e foi trazido para Roma em 10 d.C., por Augusto, junto com o Obelisco Flamínio. Hoje ele está na Piazza Montecitorio.

Obelisco della Minerva

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Construído na época de Ramsés II, foi trazido para Roma por Domiciano Flavio (um dos três imperadores em cuja dinastia foi construído o Coliseu). Em 1667 papa Alessandro VII fez com que Bernini o colocasse em cima do elefantezinho que está em frente a Igreja de Santa Maria Sopra Minerva.

Obelisco di Dogali

Também foi trazido para Roma por Domiciano, junto com o Obelisco do Pantheon e da Minerva. Hoje em dia ele está entre Termini e as Termas de Diocleciano.

Obelisco do Pantheon

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O Obelisco do Pantheon é mais um dos que foi trazido para Roma por Domiciano Domiciano Flavio (um dos três imperadores em cuja dinastia foi construído o Coliseu), junto com o Obelisco da Minerva e di Dogali, e foi colocado em cima da fonte de Giacomo della Porta, em 1711.

Obelisco do Pincio

O Obelisco do Pincio tem uma história curiosa. O grande amor da vida do Imperador Adriano foi o jovem egípcio Antinoo. Quando o jovem morreu (afogado!), Adriano mandou construir um obelisco em sua homenagem no Egito, sua terra natal. Posteriormente, o Imperador Marco Aurélio mandou trazê-lo para Roma e desde 1822 se encontra na Praça do Pincio.

Obelisco Flaminio

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Construído por Ramsés II, foi trazido para Roma em 10 d.C. por Augusto e também se encontrava no Circo Máximo. Hoje ele está na Piazza del Popolo.

Obelisco da Villa Celimontana

Dentre os obeliscos de Roma, esse é um dos que foi restaurado e somente a metade superior é original, da época de Ramsés II. Hoje ele se encontra nos jardins da Villa Celimontana, ali perto do Coliseu.

Mas esses não são os únicos obeliscos que vemos passeando por Roma. Muitos papas mandaram construir obeliscos copiando os hierógligos egícpios, e até o Ditador Mussolini mandou construir um obelisco para chamar de seu, localizado no Foro Itálico.

Piazza Navona: uma réplica perfeita

Um dos exemplos de uma réplica de obelisco egípcio é aquele que está na Praça Navona. Ele é muito antigo, da época do imperador Domiciano, mas foi construído em Roma mesmo, imitando um dos originais.

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O obelisco da Piazza Navona, foi englobado na Fontana dei Quattro Fiumi, de Bernini.

A múmia de Grottarossa

Grottarossa é uma localidade ao Norte de Roma, onde em 1964 foi encontrada a múmia de uma menina de cinco anos, desde então chamada de “a múmia de Grottarossa” e a sua data é o séc II d.C.

Graças ao enxoval funerário que acompanhava a criança, e o modo como foi enterrada, fez com que os arqueólogos chegassem à conclusão que se tratava de uma criança proveniente de uma rica família romana. Seu corpo estava enrolado em uma caríssima seda chinesa e cheio de jóias. Mas a coisa mais curiosa é que junto ao corpo da criança também se encontrava uma boneca de marfim, com braços e pernas dobráveis.

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Crédito: Wikimedia Commons, Free Copyright. Na foto a bonequinha que estava no sarcófago da Múmia de Grottarossa

O corpo havia sido enterrado dentro de um sarcófago. Não se sabe muito sobre a origem dessa família, mas, quando o Egito virou moda em Roma, também é certo que foram adotados os cultos à divindades egípcias quais Ísis e Serapis. E pode ser muito bem que essa família tenha escolhido um ritual egípcio por serem adoradores dessas deusas.

A múmia de Grottarossa, junto com a sua boneca, encontram-se no estupendo Museu Palazzo Massimo alle Terme, ali coladinho na Estação Termini.

Gostaram de saber sobre os obeliscos de Roma e viram como a cidade reserva muitas surpresas?


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6 thoughts on “Obeliscos de Roma além da Múmia e Pirâmide na Cidade Eterna

  1. Eu fiquei perto dessa pirâmide na minha primeira vez em Roma! Eu até vi alguns obeliscos na cidade, mas não sabia que tinha tantas coisas do Egito em Roma!

  2. Quem acabou ganhando fomos nós que podemos ver a beleza que resultou esta mistura de obeliscos com os prédios romanos. Um roteiro bem legal para Roma.

  3. Caraaaamba, não sabia que tem tantos obeliscos em Roma.

    Dá pra fazer um roteiro inteirnho somente para visitá-los. hehehe

    Adorei as dicas!
    Abraço

  4. Naturalmente eu conheço a história de Cleópatra e a relação desta época entre Egito e Roma, mas não sabia da influência egípcia na capital italiana a ponto de ter pirâmides e sarcófagos. Vi alguns destes obeliscos em minha meteora passagem pela cidade, mas não sabia de sua origem. Que texto incrível!

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