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Guerras Púnicas: Roma x Cartago pelo domínio do Mediterrâneo

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Guerras Púnicas são os nomes das três guerras combatidas entre Roma e Cartago (na atual Tunísia) pelo domínio do Mediterrâneo.

O nome púnico vem do fato que os antigos romanos chamavam os fenícios de Punos: Phoinikes em grego, Poeni em latim e Punos em italiano.

Após terem conquistado a Magna Grécia (atual sul da Itália), os antigos romanos começaram a expandir o seu poder no mar mediterrâneo.

Foi inevitável a rivalidade contra Cartago, uma poderosa colônia fenícia localizada na costa da África setentrional, que há muito tempo dominava as rotas comerciais marítimas.

As guerras púnicas foram três e duraram mais de um século. Ao final, com a definitiva vitória, Roma dominou, durante séculos, as rotas comerciais do Mar Mediterrâneo sem ter algum rival.

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mapa das guerras púnicas

Primeira guerra púnica (264-241 a.C.): a conquista da Sicília, da Córsega e da Sardenha

Roma e Cartago inicialmente eram duas grandes aliadas. Os acordos entre as duas cidades surgiram aproximadamente em 509 a.C. (segundo Políbio) e/ou em 348 a.C. (segundo Diodoro).

A aliança visava minar a aleança entre outras duas grandes potências: primeiramente os etruscos, e depois os gregos.

Após a vitória contra os inimigos, os romanos perceberam que manter-se aliados dos cartaginenses, lhes impediria de aumentar o domínio no Mediterrâneo. Muito provavelmente, os cartagineses pensavam a mesma coisa em relação aos romanos.

Esse será o cenário para o início de uma série de guerras, que vão durar cerca de 120 anos, e passarão à história como guerras púnicas.

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A primeira guerra púnica começou em 264 a.C. quando mercenários que mantinham Messina (cidade da Sicília) sob controle, pediram ajuda aos romanos para se livrarem do controle dos cartaginenses.

Os cartaginenses já haviam ajudado anteriormente os mercenários de Messina a se livrarem do domínio de Siracusa (uma poderosa cidade-estado da Sicília. Foi em Siracusa que Arquimedes descobriu o seu teorema).

Claramente os romanos enviaram ajuda, pois seria a desculpa ideal para dominar o extremo sul da Itália, expulsando os cartaginenses.

Após as primeiras vitórias em terra, os romanos se deram conta que era necessário ter a capacidade de vencer Cartago nas batalhas navais, onde os púnicos eram imbatíveis, pois além de contar com reforços militares de mercenários africanos, possuíam uma frota enorme e muita experiências em combates no mar.

navio romano nas guerras púnicas
A simples mas fantástica técnica que os romanos usaram: o corvo. Um engate ao final de uma ponte, permitindo que os legionários (experientes nas batalhas terrestres) passassem ao barco inimigo.

Os romanos não tinham, até então grande experiência em batalhas navais, e nem uma grande frota, mas pensaram em usar da sua perícia nas batalhas terrestres. Como isso foi feito em uma batalha naval?

Os romanos criaram navios de guerra com uma arma simples mas estratégica: o corvo. Era uma ponte com um gancho (como se fosse um bico de um pássaro) que prendia uma nave à outra, e assim permitia que os soldados romanos, passando rapidamente de uma nave à outra, pudessem lutar homem a homem.

Mesmo com as novas vitórias obtidas os romanos, não conseguiram guerrear diretamente no território africano e dominar Cartago.

Em 256 a.C., apesar de o exército ter desembarcado em Cartago, convencido a população local a participar de uma insurreição, os romanos foram dizimados, o comandante Atílio Regolo foi preso, e o epicentro da guerra teve que recuar e voltar ao sul da Itália, na Sicília.

Em 241 a.C. os romanos conseguiram obter a supremacia com uma batalha naval nas ilhas Egadi (Sicília) e encerrou-se assim a primeira das três guerras púnicas. Cartago perdeu a Sicília, e três anos depois também a Córsega e a Sardenha.

guerras punicas corvo

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Segunda guerra púnica (219-201): o contra-ataque e a ameaça de Anibal

Cartago procurou compensar as perdas da Sicília, da Córsega e da Sardenha ocupando outro importantíssimo território do mediterrâneo: a Espanha.

Roma se encontrava em dificuldades militares, uma vez que nesse momento precisava defender seus territórios contra os gauleses.

Em 226 a.C.; foi então assinado um tratado em Roma e Cartago, no qual Roma reconhecia o direito que os púnicos se espandissem a sul do Rio Ebro. O Rio Ebro nasce na Cantábria e deságua no mediterrâneo, na altura de Zaragoza.

Obviamente o tratado não foi respeitado nem pelos romanos e muito menos pelos cartaginenses. Roma fez acordos com alguns territórios locais, os quais foram atacados pelos púnicos. Desse modo, Roma se sentiu no “dever” de atacar os cartaginenses para poder defender seus aliados.

Para Cartago, vencer os romanos no território espanhol seria uma revanche contra o resultado das primeiras guerras púnicas.

O general Anibal Barca, decidiu expandir seu plano de ataque: não somente guerrear com os romanos no território espanhol, mas invadir a Itália, tentando assim enfraquecer o Estado romano no seu coração e chegar até a capital Roma.

Os elefantes de Anibal

Em 218 a.C. Anibal viajou da Espanha à Itália atravessando os pireneus, a Gália e os Alpes.

O seu exército a esse ponto contava com 26.000 homens e levaram duas semanas para atravessar as montanhas em pleno mês de outubro. No início da guerra, o contigente de Anibal era de quase 100.000 homens, e cerca de metade do exército morreu na travessia alpina.

Invadiram a Itália levando consigo 37 elefantes. O efeito cenográfico de um exército montado a elefantes foi enorme. Na Europa desconhecia-se o uso de elefantes durante guerras, nas na África, os primeiros a fazê-lo foram os guerreiros na Numídia.

elefantes de aníbal nas guerras púnicas

Guerras Púnicas: o atravessamento da Itália

A originalidade tática e o fascínio que Anibal tinha sobre seus soldados, fez com que ele obtivesse inúmeras vitórias.

Os romanos estavam completamente desorientados, e Públio Cornélio Scipione (o futuro herói da segunda guerra púnica) inicialmente foi derrotado no Ticino (hoje território de fronteira entre a Suíça e a Itália), e logo em seguida os romanos foram novamente derrotados na altura do Rio Trebbia.

O Rio Trebbia corta os estados da Ligúria e da Lombardia, e a batalha teria acontecido entre Piacenza e Pavia.

No ano seguinte, Aníbal já tinha chegado ao centro da Itália, e destruiu o exército romano nas imediações do Lago Trasimeno (no estado da Umbria) e parecia certo que logo chegaria a Roma.

Enquanto o exército de Aníbal cortava a Itália para chegar até o sul, houve uma tática de espera para tomar a decisão de invadir (ou não) Roma.

Em 216, houve mais uma vitória épica para o exército cartaginense, na famosa batalha di Canne (atualmente a cidade de Barletta, no estado da Puglia). Mas esse ainda não era o fim das guerras púnicas.

Busto de Anibal, encontrado na cidade de Cápua, no sul da Itália

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Após muitas derrotas, a estratégia vencedora de Scipione

Após todas essas derrotas, os romanos se encontravam em uma situação na qual era impossível imaginar que conseguiriam uma vitória. Mas isso aconteceu!

Alguns aliados itálicos resolveram abandonar os romanos, os gauleses também não davam trégua e procuravam dominar o que hoje é o norte da Itália. Por fim, Aníbal fez uma aliança com Felipe V da Macedônia.

A situação parecia insustentável, mas mesmo assim, várias conferederações itálicas permaneceram fiéis a Roma, cuja estratégia, a esse ponto, era tentar vencer os cartaginenses pelo cansaço.

Se é verdade que até agora Cartago havia levado a melhor, dos 100.000 soldados iniciais, os púnicos contavam com um contigente de cerca de 20.000 soldados.

Assim, Aníbal chegou às portas de Roma mas não atacou a cidade. A esse ponto, a grande mudança estratégica foi o fato de o general Publio Cornelio Scipione bloquear a passagem de reforços cartaginenses na Espanha, e decidir partir para a África e atacar a capital dos cartaginenses, ou seja, a cidade de Cartago.

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Em 204 Scipione desembarcou na África e contando com a aliança de Massinissa, rei dos Numídios, começou a dominar Cartago. A intuição de Scipione (Cipião, em Português) era que, ao ver Cartago sendo atacada, Aníbal abandonaria a Itália e voltaria para casa.

O preço para que os romanos abandonassem a cidade seria que os cartaginenses fosse embora da Itália, que renunciassem à Espanha, que os territórios conquistados pelos púnicos na África, a flota e indenizações fossem dados ao rei da Numídia, e que os cartaginenses fossem proibidos de fazer qualquer tipo de guerra na África sem o consenso dos romanos.

Os dois generais acabaram combatendo frente a frente em 202 a.C., na famosa batalha de Zama, da qual os romanos saíram vencedores.

Scipione ganhou o apelido de Scipione l’Africano, e sua épica vitória é lembrada no hino da Itália, quando recita os versos “Fratelli d’Italia, l’Italia s’è desta, dellelmo di Scipio s’è cinta la testa.”

o articulador das guerras púnicas
Busto de Scipione Africano. Vila dos Papiros, Pompeia, Itália.

Terceira e última guerra púnica (149-146 a.C.): o fim de Cartago

Ao fim das guerras púnicas, Roma era a nova senhora do mediterrâneo ocidental.

Cartago ainda tentou um retomada comercial, o que foi tolerado inicialmente por Roma.

No entanto, quando os romanos conseguiram também conquistar uma hegemonia no mediterrâneo oriental, pensou que não era uma boa ideia correr o risco que Cartago armasse algum tipo de insurreição.

A ocasião perfeita aconteceu quando em 151 a.C., Massinisa (rei na Numídia) provocou Cartago, a ponto que essa lhe declarou guerra, violando assim o tratado anteriormente feito com Roma.

Os cartaginenses tentaram em todo modo guerrear com Roma, e aceitaram todas as exigências, exceto aquela de abandonar completamente a cidade de Cartago e fundar uma outra cidade, que ficasse a cerca de 10 milhas longe do mar.

Após uma resistência de três anos (149-146), Scipione Emiliano abriu guerra contra Cartago em 146. A cidade foi completamente destruída, os cidadãos foram assassinados ou escravizados e quase todo o território foi transformado na província romana da África, com sede na cidade de Útica.

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Luciana Rodrigues
Guia brasileira em Roma e Vaticano. Moradora de Roma há mais de 21 anos. Idealizadora e produtora de conteúdo do Roma Pra Você, para quem quer organizar a sua viagem a Roma em plena autonomia. Seja bem-vindo(a) e prazer em conhecê-lo(a)!

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