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Escola na Roma Antiga: Fatos e Curiosidades

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Quando falamos da Roma Antiga, muitas perguntas pairam no ar, sobretudo em relação aos usos e costumes da sociedade. Por exemplo: como era a escola na Roma Antiga? Como era organizado o sistema escolar romano e existia um programa acadêmico?

A escola na Roma Antiga: da República ao Império

Na época republicana (509 a 27 a.C.) os pais eram os principais responsáveis pela educação dos filhos.

Enquanto eram muito pequenos, até pelo menos seis anos de idade, a educação era um papel quase exclusivo das mães, tantos para os meninos quanto para as meninas.

Um professor sentado na cadeira (cátedra) e os alunos na sala de aula que não tinha mesas.

A partir dos sete anos de idade, o pater familias (pai de família ou chefe de família) começava a participar da educação dos filhos ensinando gramática, matemática, educação física e o Mos Maiorum.

O Mos Maiorum era uma série de conceitos e valores tradicionais da sociedade romana: o respeito às leis, o respeito à religião e aos deuses, aos idosos e à família, a integridade moral. Comparando com algo que conhecemos nos sistemas escolares modernos, o Mos Maiorum seria quase como um ensino de educação, moral e cívica.

Aos filhos homens também eram ensinadas atividades viris: caçar, lutar com armas, montar a cavalo e até nadar.

Já no final da época republicana, começou a se difundir cada vez mais o costume de uma pessoa fora do ambiente doméstico se ocupar da educação dos filhos pequenos

Plínio, o Jovem, um dos maiores pensadores do mundo antigo, criticava muito as mulheres que abriam mão da educação dos filhos para os confiarem a amas ou preceptores. Dizia que mulheres com tempo livre demais, acabariam por se corromper ou dedicar seu tempo a atividades dissolutas.

Plutarco, por sua vez, afirmava a existência de escolas públicas em Roma a partir do II séc. a.C.

Na época imperial (27 a.C. a 476 d.C.), já havia o conceito de escola, mais ou menos como conhecemos hoje. Nesse período houve um grande investimento estatal na escola pública, inclusive com um piso salarial para os professores, introduzido pelo imperador Vespasiano.

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Escola na Roma Antiga: preceptor, escola particular ou escola pública?

Como nos dias atuais, a condição financeira de uma família influenciaria de modo crucial no tipo de educação dos filhos.

Um família abastada ou de origem aristocrática contratava um professor particular (paedagodus ou preceptor) para ensinar seus filhos em casa, o tão falado homeschooling. Algumas vezes “importavam” professores dos maiores centros de ensino como Grécia ou Egito.

Um mestre com seu pupilo

Famílias com boas condições financeiras, mas não tão ricas, muitas vezes contratavam  “libertos” (escravos alforriados) que soubessem grego, latim, gramática e matemática para também educar seus filhos em casa.

Outras famílias contavam com os próprios escravos domésticos para a educação escolar dos filhos. Obviamente, nesse caso, a escolha era por escravos com conhecimento de, pelo menos, grego, latim e matemática.

Famílias sem grandes posses mandavam para escolas coletivas, fossem elas particulares (nesse caso a família deveria ter uma pequena quantia econômica à disposição) pagamento) ou públicas.

No caso das escolas coletivas, não havia uma enorme diferença no ensino público ou particular. Somente o fato que, as escolas públicas eram financiadas e controladas pelo poder estatal, enquanto as escolas particulares sobreviviam graças ao empreendedorismo dos professores, que muitas vezes ensinavam na sala de casa ou alugavam lojas ou um “espaço coberto” e montavam uma pequena sala de aula.

Não poucos professores particulares que montavam suas próprias escolas eram escravos alforriados que sabiam bem o latim, o grego, filosofia e outras matérias importantes de acordo com a categoria de ensino: elementar, médio ou superior.

Professores que ensinavam em escolas coletivas ganhavam pouco. Muitos tinham um segundo trabalho para poder sobreviver.

O crítico Juvenal dizia que em um dia de luta um gladiador ganhava mais dinheiro do que um professor em um mês inteiro de trabalho.

Geralmente o horário escolar durava 6 horas por dia, começando às 8h da manhã, com uma pausa por volta do meio-dia para uma breve refeição: os alunos saiam da escola, amoçavam em casa e depois voltaram para a aula na parte da tarde.

As escolas públicas nas províncias do Império Romano

Conforme Roma se expandia pelos confins da terra, muitos imperadores começaram também a pensar em uma escola pública que permitisse que os filhos dos militares pudessem, uma vez que eram cidadãos romanos, aprender o latim.

O interessante é que, após muitos anos lutando nas fronteiras, os soldados voltavam para Roma e sabiam falar muitas línguas estrangeiras, a dizer, o que hoje seriam os precursores do francês, do português, do alemão, do inglês.

Educação na Roma Antiga: ensino elementar, médio e superior

O ensino era dividido por níveis de aprendizado, como nas nossas escolas atuais.

Ensino fundamental: crianças de 7 a 11 anos aprendiam sobretudo a ler, escrever e contar.

Ensino médio: adolescentes de 12 a 16 anos estudavam gramática e literatura, liam os principais autores gregos e latinos. Além disso também estudavam história, física e matemática.

Ensino superior: jovens de 17 a 18 anos estudavam com um rhetor e tinham aulas de retórica. Eram preparados exercícios escritos e orais, e os jovens tinham que ser muito afiados na oratória e na dialética. Eram apresentados problemas e controvérsias, nos quais os alunos tinham que discutir o porquê de uma solução a um problema.

O ensino superior era fundamental para uma carreira profissional de sucesso. Aqueles que desejavam uma carreira em profissões jurídicas (advogado, juíz, magistrado), em carreiras políticas ou nos altos escalões militares, tinham que obrigatoriamente estudar retórica e oratória.

Sabemos, por exemplo, que o filósofo e dramaturgo Sêneca foi preceptor do imperador Nero.

Outras disciplinas estudadas na escola superior eram: filosofia, medicina, astronomia e matemática.

A escola superior durava em média dois anos. E ao final desse ciclo, também ocorreria uma grande diferença de acordo com a classe social. Acontecia o que, para nós, hoje seria o equivalente ao intercâmio cultural no exterior.

Os jovens de família muito abastada e da aristocracia, ao terminarem os dois anos de escola superior, muitas vezes íam estudar no exterior, para lá, aprimorarem seus conhecimentos nas mais famosas escolas de retórica, filosofia e Egito. As principais metas do “intercâmbio na Roma Antiga” eram: Atenas, Rodes, Pérgamo e Alexandria do Egito.

Também havia casos de famílias aristocráticas que “importavam” um preceptor da Grécia ou Egito, por exemplo.

Distinção de sexo a partir do ensino médio

Geralmente a partir do ensino médio, encerrava o ciclo escolar das jovens, sobretudo aquelas provevientes de famílias com menores condições financeiras.

A partir dos 12 ou 13 anos as meninas eram preparadas para casar e saber ser uma boa domitila, ou seja, uma boa dona de casa: cozinhar, fiar a lã, tecer, costurar, cuidar da casa.

A jovem que lê (estátua de bronze 1 séc. A.C.), Cabinet des médailles, Bibliothèque nationale de France, Paris

As jovens de famílias ricas tinham que saber como administrar a casa, tecer, dar ordens aos domésticos, entreter os hóspedes do seu futuro marido.

As famílias abastadas, com uma visão mais moderna, contratavam preceptoes para continuar educando suas filhas dentro do ambiente doméstico. Mas a educação era muito limitada se compara à educação dos filhos de sexo masculino.

Porém, sabemos que na Roma Antiga, muitas mulheres foram grandes empresárias, gerindo o patrimônio herdado. Um exemplo é Plotina, a esposa do imperador Trajano. Portanto, para uma jovem de família abastada, era fundamental continuar os estudos, mesmo que seus estudos não fossem tão profundos quanto os dos jovens de sexo masculino.

Então, de certa forma, as jovens de famílias com ótimas condições financeiras, além do aprendizado de “boa condução do lar” e “gestão dos domésticos e dos escravos”, tinha acesso a uma boa educação formal.

Escolas públicas para os pagens e escravos imperiais

Na parte baixa do Palatino, aos pés das ruínas do palácio imperial, ficava localizado o paedagogium.

O paedagogium era a escola dos pagens imperiais que, em princípio era uma escola prestigiosa para os filhos das famílias da alta burguesia, que trabalhariam nas dependências dos imperadores.


Ruínas da escola dos pagens imperiais, no Palatino

Com o passar do tempo e com as conquistas de Roma, chegaram levas e levas de escravos de várias etnias e línguas à cidade.

Os melhores eram selecionados para servirem a corte imperial. Portanto, além de aprenderem todo o serviço de limpeza, cozinha e educação dos filhos dos seus senhores, os escravos imperiais deveriam ter um bom grau de instrução.

Portanto, no paedagogium, os escravos também aprendiam a ler e a escrever em grego e latim.

Castigos e punições nas escolas da Roma Antiga

Nas escolas, era altamente aceitável que os alunos indisciplinados ou preguiçosos fossem punidos fisicamente.

Geralmente eram utilizados chicotes de couro ou bastões de madeira para castigar os alunos.

Por outro lado, muitos alunos de famílias ricas não respeitavam seus preceptores quando esses eram libertos, escravos ou de classe social inferior à sua.

Como eram as salas de aula nas escolas da Roma Antiga?

O professor geralmente sentava em uma cadeira (cathedra) ou um banco.

Os alunos por sua vez sentavam em bancos e apoiavam os cadernos nos joelhos. Não existiam mesas.

Geralmente eram utilizados papiros ou pergaminhos para escrever, mas esses materiais eram muito caros, portanto, só usados no ensino das classes mais abastadas.

As tábuas de madeira enceradas e a caneta com ponto de metal

No geral, nas escolas coletivas públicas ou particulares, os alunos usavam pequena “lousa” pessoal. Se tratava de uma tábua de madeira, coberta com uma cera, onde os alunos escreviam com uma espécie de lápis muito pontiagudo, que deixava marcas na cera.

Esse tipo de lousa poderia ser reutilizado, ao ser encerado e aplicar novas camadas de cera, fazendo dela, então, um tipo de “caderno” muito econômico.

Os livros eram escritos em grandes rolos de pergaminhos, e para o ensino da matemática eram utilizados abacos.

O ábaco usado para os cálculos matemáticos. Foto: Shutterstock

Leituras sobre usos e costumes na Roma Antiga:

Luciana Rodrigues
Guia brasileira em Roma e Vaticano. Moradora de Roma há mais de 21 anos. Idealizadora e produtora de conteúdo do Roma Pra Você, para quem quer organizar a sua viagem a Roma em plena autonomia. Seja bem-vindo(a) e prazer em conhecê-lo(a)!

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