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A cidadezinha de Bomarzo e o mitológico parque dos monstros

Já falei do quanto eu adoro passear pelo norte do estado, naquela fronteirinha entre o Lácio, a Umbria e a Toscana, e uma das minhas províncias preferidas é Viterbo, com seus incontáveis burgos medievais, castelos, vilas imponentes e jardins renascentistas, lagos, cachoeiras e até praia! Viterbo realmente tem de tudo e eu nem falei da culinária, né?

Uma das localidades mais famosas e que atrai muitos turistas (mas nada que se compare nem de longe ao sufocante turismo de massa de Roma e outras capitais italianas, portanto, fique tranquilo!) é a cidadezinha de Bomarzo, que hospeda o parque dos monstros também conhecido como bosque sagrado.

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O parque é um lugar curioso e narra a lenda que ele nasceu a causa de uma dolorosa história de amor…

Ele foi inaugurado em 1552 e idealizado pelo arquiteto Pirro Ligorio, que também havia trabalhado na continuação da Basílica de São Pedro após a morte de Michelangelo.

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Quem o encomendou foi o príncipe Pier Francesco Orsini.

O parque na verdade foi construído dentro de um bosque, dentro do qual foram instaladas figuras mitológicas e às vezes grotescas, animais e personagens mitológicos, além de monstros.

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Netuno (Poseidon) e um golfinho. Na mitologia, o golfinho está ligado ao deus Apolo, que se se transformou nesse animal, para conduzir os cretenses a Delfos.

O bosque ocupa cerca de 3 hectares e o príncipe era um cultor de estudos clássicos e mitológicos.

Mas por que construir um parque assim, com figuras feias ou pelo menos curiosas, quando os ricos da épocas construíam jardins italianos, com fontes maravilhosas?

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Os obeliscos também são decorados com máscaras grotescas

A história que chegou até nós é que o parque nasceu para exorcizar a dor de um amor perdido. Giulia Farnese, sua esposa, faleceu deixando um enorme vazio na vida de Orsini. Muitos dizem que a viuvez fez com que o príncipe não conseguisse mais enxergar a beleza da existência humana, então, pensou em construir um parque cheio de figuras feias, grotescas, animalescas. Feias e sombrias como a dor e o sofrimento.

Depois que o príncipe faleceu, o parque foi abandonado e somente 400 anos depois (na metade do século passado) é que uma família tomou a frente de restaurar a propriedade e as estátuas.

Narrando um pouco do parque dos monstros de Bomarzo

O parque possui um estacionamento grátis. E logo depois da bilheteria tem um bar bem equipado, com também um restaurantezinho (menu simples, mas que cumpre a função). Já no ambiente externo tem parquinho para crianças, parque com gramado e também uma área para piqueniques.

Logo na entrada, somos recepcionados por duas esfinges. Mas à diferença da esfinge grega, essas não possuem algum enigma a ser decifrado, mas já dizem aos visitantes frases/citações bem claras.

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Logo depois das esfinges, um pequeno desvio de percurso para ver o proteo-glauco e dali fazer um percurso vendo escultura após escultura.

Descendo alguns degraus (ah! Esqueci de dizer que o parque tem muitos degraus, o que o torna bem difícil para ser visitado com crianças com carrinho, ou pessoas com muita dificuldade para se locomover), vemos duas enormes estátuas de gigantes que lutam entre si.

Os dois gigantes são Hércules e Caco (cujas estátuas em versão renascentista _e linda_ podem também ser vistas na Piazza della Signoria, em Florença), com uma frase que fala de Rodes, cidade da antiguidade conhecida pelas suas estátuas colossais.

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Durante todo o passeio pelo parque, damos de cara com estátuas e citações.

Muito curiosa e interessante também é a casa pendente. Muitos pensam que a casa ficou torta porque o terreno afundou, mas não! Tratando-se de um bosque sagrado, com figuras monstruosas, a casa também não poderia ser “normal”. Se não é grotesca como as figuras, com certeza é muito curiosa.

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E quando entramos nela, temos aquela sensação de vertigem. Há indicações que atestam que a entrada original do parque era aqui, nas proximidades da casa torta, à época da sua construção.

Todos querem entrar na casa, tirar fotos e sentir essa vertigem!

Depois da casa um série de figuras mitológicas. Muito interessante as estátuas que representam e/ou estão ligadas ao reino dos mortos.

Perséfone/Proserpina, aquela que foi raptada por Hades/Plutão. A mesma já foi lindamente retratada pela escultura de Gian Lorenzo Berbini, o Rapto de Proserpina, que está na Galleria Borghese.

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Uma erínia/fúria e também uma equidna. Mulheres mitológicas com bustos de ninfas e membros inferiores monstruosos.

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Tratando-se de um parque que elogia a antiguidade não poderia faltar um teatro antigo e obeliscos, também decorados com máscaras grotescas.

Toda essa curiosa evocação pela “feiura” é balanceada pela natureza bem verde do bosque, o que, realmente, o torna uma espécie de bosque sagrado.

Imagino que no inverno, com menos luz, ou em algumas horas do dia com menos visitantes, o lugar deva ter uma atmosfera um tanto curiosa. Não chega a ser angustiante, mas no séc. XVI ou XVII deveria ser muito mais curioso.

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Por vezes encontramos ânforas, ou simplesmente placas ao longo do parque ou próximo aos monumentos, com algumas frases poéticas.

Se passar por Viterbo e adjacências, não deixe de dar um pulinho no parque.

Muito graciosos também os dois burgos: a cidade de Bomarzo e o burgo de Mugnano in Teverina (que na verdade pertence à cidade de Bomarzo).

Bomarzo é um pequeno, gracioso e silencioso burgo de pedra, com um castelo/palácio no cume da colina.

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A catedral de Bomarzo

Essa região é cheia de lugares assim: burgos com palácios e castelos, porque muitos nobres que emprestaram suas guardas pessoais para defender o papa e/ou o território contra invasores, ganharam terras e poder em troca da ajuda militar.

Mas a “cerejinha em cima do bolo” foi Mugnano in Teverina. Já estávamos no carro voltando para casa, quando ficamos curiosos pela forma um pouco “estreita com várias casinhas aglomeradas” dessa colina. Desviamos até lá.

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O “centrinho da cidade” de Mugnano in Teverina. Cheia de sacadas e janelas super floridas!

Digo a vocês que Mugnano foi um dos burgos mais floridos, mais lindinhos e bem cuidados dos que já visitei aqui nos arredores de Roma. E com algo muito curioso: praticamente não encontramos nem um morador!

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Reinava uma paz e um silêncio que, para nós que vivemos nas grandes cidades, parece algo inexistente.

Um ar de conto de fadas!

Dois guias fundamentais para entender Bomarzo

Fazendo uma busca pela internet, além do site oficial do parque, encontrei dois guias (um breve e outro bem detalhado) que explica tudo sobre o parque.

Ambos redigidos em italiano, mas são grátis e podem ser baixados em PDF.

O mais breve, de autoria de Sebastiano Inturri, se chama Il Parco dei Mostri.

O mais detalhado, com muitas explicações sobre a mitologia grega e romana, de autoria de Luigi Manzo, se chama La guida al bosco delle meraviglie.

Bosco Sacro ou Parco dei Mostri di Bomarzo

Località Giardino, 01020 – Bomarzo

Telefone: 0761/924029

Site: http://www.sacrobosco.it/

Preço: 10,00 – crianças de 4 a 13 anos: 8 euros

Dias e Horários: 8:30 às 19 (de Abril a Agosto) e 8.30 ao pôr-do-sol (de Setembro a Março)

Chegar lá: li várias indicações na internet, mas não é nada fácil chegar ao parque sem carro. Porque mesmo conseguindo pegar um ônibus até Bomarzo, depois é necessário caminhar bastante (em estradas sem calçadas) até chegar ao local.


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