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Perto do Coliseu: Os surpreendentes subterrâneos da Basílica de São Clemente

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A pouco mais de 300 metros do Coliseu, os subterrâneos da Basílica de São Clemente nos conduzem em uma viagem de volta ao passado. Um passado de quase dois mil anos.

Sua fachada é discreta e a entrada é pela porta lateral. Em uma cidade com mais de novecentas igrejas, a Basílica de São Clemente corre o risco de passar inobservada ou ser subestimada.

Clemente foi o quarto papa católico e morreu por volta de 100 d.C., quando o título de pontífice máximo ainda pertencia ao imperador romano. Assim como muitos santos da origem do cristianismo, Clemente foi martirizado.

Gravura do séc. 18

A primeira basílica (que está enterrada embaixo da atual) foi construída no séc. 4 d.C. Ou seja, no mesmo século em que foi construída a primeira basílica de São Pedro, no Vaticano. A segunda basílica foi construída no séc 12.

Em 1857 foram realizadas as primeiras escavações, e veio à luz a estrutura subterrânea dessa primeira antiga basílica do séc. 4 d.C. Escavando mais profundamente, levou a descobrir um segundo andar subterrâneo, com construções do séc 1 d.C.

Finalmente entre os anos 1912 e 1914, novas escavações levaram a descobrir construções inclusive da época do grande incêndio de Roma, em 64 d.C., do qual o imperador Nero foi acusado. Mesmo que a historiografia moderna tenda a absolvê-lo. Dizem que a acusação era pura intriga da oposição.

Foto: Basilica di San Clemente

Descer dois andares de subterrâneos e descobrir outro mundo

Para começar: atualmente é proibido tirar fotos, portanto, contarei a minha experiência, mas terei que usar fotos (com permissão de copyright, claro) disponíveis na internet.

O seu nome completo é San Clemente al Laterano, ou seja, São Clemente de Latrão, e ela é uma basílica menor.

Nave central da basílica inferior. Foto: Basilica di San Clemente

As naves da igreja são separadas por antigas colunas romanas, que poderiam ter pertencido a um templo pagão ou a um pórtico.

Na ábside um riquíssimo mosaico do séc. 12 com a crucificação de Cristo. É tudo muito rico e majestoso: o mosaico, os mármores das colunas e do pavimento.

Nave esquerda. Foto: Basilica di San Clemente

Mas um dos principais motivos que atrai centenas de visitantes por dia à Basílica de São Clemente é poder descer os subterrâneos, fazendo com que possamos visitar a basílica do séc. 4 d.C. e também construções do séc. 1 d.C.

Considerem que a basílica de São Clemente está bem perto do Coliseu, do Ludus Magnum (a principal “academia” de treinamento dos gladiadores, muito provavelmente também existia por ali o quartel onde alojavam os oficiais da marinha imperial de Capo Miseno (os responsáveis por armar a cobertura que protegia a plateia do Coliseu em dias de sol ou chuva) e também a Domus Aurea, a Casa Dourada do Imperador Nero. Portanto, digamos que as escavações não relevaram nenhuma grande novidade, porque já se sabia que era possível e provável encontrar importantes romanas.

Parte antiquíssima em blocos de tufo vulcânico.

Portanto, ao descer em profundidade (é necessário pagar um ingresso que custa 10 euros), primeiramente caminhamos a cerca de 4 metros abaixo do atual nível da rua, percorrendo as ruínas da basílica do quarto século depois de Cristo.

Nesse primeiro andar subterrâneo há várias placas em mármore com inscrições em latim, pedaços de colunas, afrescos e mosaicos antiquíssimos. Esses, por serem muitos antigos, não estão em ótimo estado de conservação, mas fazem parte da tradição bizantina, com a qual era representada a vida religiosa imediatamente após a queda do império romano do ocidente.

Um dos mosaicos mais importantes é o que representa São Cirilo, que junto com São Metódio (eram irmãos de sangue) criaram o alfabeto glagolítico, que deu origem ao alfabeto cirílico (em homenagem ao santo, claro!) hoje utilizado nas línguas eslavas. Segundo a tradição cristã, São Cirilo faleceu em Roma e foi enterrado justamente na Basílica de São Clemente.

Um dos afrescos conta também a história de Santo Alessio, homem rico e que pertencera à aristrocraria romana. Ele renunciou ao matrimônio e aos bens para viver como monge pedinte.

A Basílica também é famosíssima por que possui o único exemplar de um afresco no qual há um palavrão em latim vulgar, ou seja, o tardim que precede muitas das línguas românicas.

No afresco, do século 11, podemos ler a palavra Fili dele pute traie, ou seja, em velho e bom português: Filhos da puta. A frase está entre os dois últimos personagens à direita. Fili dele escrito em horizontal e pute traie escrito em vertical.

Se o primeiro andar subterrâneo já nos reserva todas essas surpresas, esperem até chegar ao segundo subsolo. Lá encontramos restos de casas romanas, muito provavelmente casas da época do famoso incêndio de Roma ocorrido em 64 d.C. Incêndio famoso porque até os dias atuais existe o boato que o mandante tenha sido o imperador Nero.

Mas se já é emocionante caminhar por dentro de uma antiga casa romana, imaginem encontrar um altar de culto e até, pasmem, um pequeno riacho que água cristalina! No subterrâneo da igreja tem tudo isso.

Em um dos ambientes existe um altar do culto do deus mitra, ou seja, o culto do mitraismo.

O mitraismo é uma religião que fez muitos adeptos entre os soldados romanos. Deriva de um antigo culto elenístico do deus Meithras, que por sua vez derivava do culto persiano do deus Mitra. Atraía os soldados romanos por ser um deus das armas, dos vencedores e dos heróis.

Foto: Basilica di San Clemente

Se tratava de uma religião iniciática e misteriosa, proibida às mulheres. Geralmente, à diferença dos grandes templos romanos, os quais podem ser observados, por exemplo, nas ruínas do Fórum Romano, cuja cerimônia era celebrada por um sacerdote, no mitraismo as cerimônias eram realizadas em cavernas e subterrâneos. Dela participavam pequenos grupos de iniciados que não podiam relevar os segredos do que acontecia durante esses encontros. Sobretudo, era colocado um pequeno altar de pedra no local do culto e era fundamental que na proximidade existisse uma fonte de água, seja ela natural ou artificial.

Na iconografia, Mitra é sempre representado matando um touro. Uma das esculturas mais bonitas se encontra no Museu do Louvre de Lens, e pertencia à Coleção Borghese.


Basilica di San Clemente al Laterano

Site: http://www.basilicasanclemente.com/ita/

Endereço: Via Labicana 95. A igreja fica no caminho (para quem vai a pé) que liga ao Coliseu à Basílica dei Santi Quattri Coronati e da Basílica Papal (e Catedral de Roma) de São João de Latrão. Fica a dica!

Horário: segunda a sábado das 9 às 12 e das 15 às 18. Domingos e feriados das 12:15 às 18. A bilheteria fecha meia hora antes do horário de encerramento.

Preço: 10 euros, com gratuidade para menores de 16 anos.



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