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Museus Vaticanos: o Laocoonte é ou não é do Michelangelo? Mistério no ar…

Hoje vamos contar a curiosa história da escultura do Laocoonte e a suposta malandragem de Michelangelo.

Há muitas maravilhas de Michelangelo que podemos admirar em Roma, e dentre elas encontra-se uma provável criação: a estátua do Laocoonte, que foi a ele atribuída por muitos críticos, mas cuja autoria nunca foi confessada. O caso é interessantíssimo!

Antes de entrar no assunto, vamos fazer uma pequena reconstrução histórica e mitológica no melhor estilo “para leigos”, que é o meu caso: apaixonada, mas não sou uma expert.

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Crédito: Wikimedia Commons

O Império Romano se expande como um “império guerreiro” e assim conquista uma enorme parte do mundo antigo. Quando os romanos entram em contato com civilizações mais requintadas, caem de quatro, ficam de queixo caído e querem copiar e/ou absorver o conhecimento, a riqueza, o requinte, a beleza.

Diante dos egípcios e gregos aristocráticos, os romanos eram a “classe emergente” da época. Sacaram? A admiração dos romanos pelas estátuas, pelas divindades e pela cultura grega em geral foi enorme. Nos museus romanos existem inúmeras estátuas helenísticas verdadeiras e/ou inspiradas.

Quem era Laocoonte? Graças a Wikipedia, vamos conhecer um pouco desse personagem:

Laocoonte era filho de Acoetes, irmão de Anquises; ele era um sacerdote de Apolo, mas, contra a vontade de Apolo, se casou e teve filhos, Antífantes e Timbreu. Quando Laocoonte estava fazendo um sacrifício a Netuno, Apolo enviou duas serpentes de Tênedos, que mataram o sacerdote e seus descendentes. Segundo os frígios, isto aconteceu porque Laocoonte havia arremessado sua lança contra o Cavalo de Troia.

Possivelmente a mais antiga referência ao mito seja uma tragédia perdida de Sófocles, que possuía mesmo nome . No entanto, o relato é mais popularmente conhecido pela escultura que inspirou e pelo poema épico latino Eneida, de autoria de Virgílio no século I a.C.

Uma das expressões mais importantes da antiguidade, sobretudo do período helenístico, é a escultura que representa Laocconte e seus filhos sendo atacados. A obra foi objeto de estudo por vários historiadores da arte após sua redescoberta no século XVI. De datação incerta, as estimativas variam entre 140 a.C. até 37 d.C., época do imperador romano Tito (a mais aceita atualmente é 40 a. C.). 

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Crédito: Wikimedia Commons

Uma vez que aprendemos um pouco sobre o mito e a escultura, vamos à “malandragem” de Michelangelo:

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Essa famosa escultura do Laocoonte foi trazida para Roma e desapareceu. Os antigos a consideravam uma das estátuas mais belas do mundo. O historiador Plínio o Velho contava da sua beleza adornando o Palácio do imperador Tito (o mesmo da dinastia Flavia que construiu o Coliseu).  A escultura sumiu e séculos depois muitos se perguntavam onde ela estaria, que fim teria levado? A lenda diz que Michelangelo arquitetou um plano: ele mesmo esculpiu uma estátua, a quebrou em pedaços, para forjar uma queda, e a enterrou para que ficasse com um aspecto antigo. Um agricultor a encontrou nas proximidades do Colle Opio (aquela colina de frente para o Coliseu) e, olhem que coincidência, Michelangelo foi uma das pessoas convidadas para ajudar a desenterrar e reconhecer o valor da mesma.

A estátua foi oferecida por uma fortuna ao papa Giulio II, que desconfiou da trufa, contratou um crítico e descobriu que não era a estátua original. Tudo isso ocorreu em 1506. Mas Giulio II ficou talmente fascinado pela obra de Michelangelo, que anos mais tarde encomendou o seu túmulo, originando assim o lindo Moisés (1513-1515) que hoje está na igreja de San Pietro in Vincoli. Não era a primeira vez que Michelangelo tentava reproduzir uma estátua antiga e vendê-la a um preço alto. Os históricos dizem que o pai do artista vivia individado e, assim, Michelangelo tentou ajudar a sua família (isso antes da fama, claro!)

Uma “coincidência” muito interessante e que faz com que muitos históricos e críticos da arte atribuam a autoria a Michelangelo é:  quanto a estátua foi encontrada, faltava um pedaço do braço. Vários artistas deram as suas opiniões sobre a sua posição, e foi construído um braço de mármore para “remendar a estátua”. Até Bernini deu uma dica de como reconstruir o braço. Em 1906 o braço foi encontrado por acaso à venda em  uma loja de antiquariato e, 400 anos depois, descobriu-se que a posição do braço era exatamente como tinha sido prevista por Michelangelo. Ele foi o único em 400 anos  a “adivinhar” a posição correta do braço de Laocoonte.

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Crédito: Wikimedia Commons

Ademais todos os críticos concordam que o tipo de escultura não era grega, mas, sim, refletia pienamente o pensamento renascimental, inclusive na força e virilidade dos corpos. Ou de Laocoonte e seus filhos lutando contra o destino, ou seja, o homem renascimental screditava poder lutar e até vencer as divindades.

Coincidência, genialidade ou a confirmação do engodo?

A escultura era tão perfeita, que o rei da França quis comprá-la do Papa, e daí nasceram algumas reproduções.

Após ter conquistado a Itália em 1799, Napoleão Bonaparte confiscou a estátua e a levou para a França, onde foi exposta no museu do Louvre e foi uma das principais fontes de inspiração para o neooclassiciamo francês. Após a queda de Napoleão a estátua ritorno à Itália em 1815, e hoje está no Museu Vaticano.

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E você? Acredita no acaso ou acha que o Laocoonte é de Michelangelo?


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3 thoughts on “Museus Vaticanos: o Laocoonte é ou não é do Michelangelo? Mistério no ar…

  1. De Michelangelo ou não, é uma das mais importantes esculturas de mármore já feitas pelo homem. Existe uma aura histórica envolvida na obra. A prova de como as sociedade pós Antiguidade caíram de joelhos frente à beleza do mundo grego antigo.

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