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Memórias de guerra: Roma e o bunker de Mussolini na Villa Torlonia

A Villa Torlonia é um dos espaços verdes preferidos pelos romanos, junto com a Villa Borghese, Villa Pamphili e Villa Ada. Enquanto a Villa Borghese é muito frequentada também por turistas, já que parte dela está bem no centro de Roma, as demais são mais frequentadas por locais ou turistas italianos.

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Villa Torlonia fica em um dos bairros residenciais mais bonitos de Roma: quartiere Nomentano, cortado pela compridíssima Via Nomentana, que possui muitos casarões e mansões históricos, alguns deles  sedes de embaixadas.

A Villa em si é muito interessante porque possui um ecletismo arquitetônico e fases históricas interessantes: como em toda a cidade de Roma, há ruínas romanas embaixo do parque. No local encontram-se as catacumbas hebraicas mais antigas de Roma, dos séc. III e IV d.C. Elas foram descobertas durante escavações em 1918. Parece que as catacumbas serão reabertas ao público até 2016, e pretendem construir um pequeno museu da Shoah nos arredores.

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Vista lateral da Villa. O bunker está embaixo deste chão desterrado.
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Aqui uma saída externa. Depois de percorrer um corredor, chega-se às portas blindadas.

O terreno pertencia à família nobre Pamphili. No início do séc. XIV foi comprada pela família Torlonia, banqueiros de origem francesa, que obtiveram o título de príncipes, concedido pelo rei italiano, apesar de não terem “sangue azul”.

Durante a guerra, o príncipe Torlonia cedeu o uso da mansão ao ditador Benito Mussolini, que inicialmente a usava somente para cerimônias de estado, mas depois decidiu transferir-se para lá com sua esposa e filhos, enquanto a amante (assim dizem as más línguas) tinha um aposento secreto no Palazzo Venezia (Praça Veneza), que era o seu quartel general.

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Uma das entradas externas para o refúgio. Aqui na verdade era a cave de vinhos dos príncipes Pamphili

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Com a guerra e o risco iminente de bombardeios houve a necessidade urgente de criar um espaço para que Mussolini e a família se protegessem. Inicialmente foi criado um refúgio antiaéreo. O arqueólogo nos explicou que existe uma diferença técnica importante entre refúgio e bunker: os refúgios utilizam ambientes subterrâneos já existentes, adaptados ao uso bélico na medida do possível. O bunker é construído do zero, com malhas de aço e cimento armado, com uma tecnologia militar aplicada. Portanto, o refúgio é improvisado, e o bunker é programado.

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O primeiro refúgio que construíram foi feito em uma cave para vinhos, já que até o séc. XVIII os príncipes Pamphili utilizavam esse terreno como vinhedo. Foram colocadas portas blindadas, foi construído um pequeno banheiro, foi improvisado um minúsculo escritório para Mussolini e ali dentro podiam ficar somente quinze pessoas, incluindo a guarda fascista. Era possível somente três horas de autonomia no local.

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Mas além de pequeno e improvisado, o local era fora da residência. Em caso de bombardeio, a família tinha que sair de casa, correr pelo parque por alguns minutos e se proteger no refúgio. Houve então a necessidade de construir um segundo refúgio embaixo da própria mansão. O problema do deslocamento não existia mais, porém, nesse caso também era um ambiente improvisado.

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Cartas de Mussolini contando a lentidão da construção e que o custo da obra havia duplicado de preço!

Mussolini após ter visitado Berlim e visto os bunkeres-cidade de Hitler, resolveu que queria um para proteger a sua família. Decidiu então construi-lo em anexo ao refúgio que já existia embaixo da mansão.  Parte da mão de obra era garantida pelo trabalho incessante dos bombeiros. A obra iniciou em 1942. A construção estava a 6 metros de profundidade, e somente a cobertura possui 4 metros de cimento armado. Em 25 de Julho de 1943 Mussolini foi deposto e deixou Villa Torlonia sem que a construção do bunker tivesse terminado.

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Os três buracos são três túmulos anteriores ao séc. V d.C.

A visita também teve uma pequena surpresa: o arqueólogo nos mostrou um pequeno corredor que foi deixado aberto. Nele foram escontrados alguns túmulos antigos. Os três corpos tinham sido sepultados de barriga para baixo, tratamento reservado somente aos cadáveres de assassinos. Roma é isso, pessoal! Ao lado de um bunker de guerra, você encontra restos milenares!

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Esse passeio é muito, mas muito legal mesmo. Dura cerca de 1:30h. O arqueólogo faz uma pequena introdução à história da Villa, nos guiou por um pequeno passeio para entendermos um pouco o ambiente ao nosso redor. Esse é o quarto passeio que faço com associações de arqueólogos ou históricos da arte. Algumas possuem passeios em outras línguas além do italiano, como é o caso desse passeio, com disponibilidade também em inglês, francês, espanhol, alemão, russo e hebraico.

Como participar desse passeio?

Reserve no site: http://www.sotterraneidiroma.it/focus/bunker-mussolini

O ponto de encontro geralmente é no lado de dentro do portão de entrada da Villa. Parece estar fazendo sucesso porque os passeios são feitos às 6af, sáb, dom, 2af e 4af. Preço: 7 euros.

Endereço da Villa Torlonia:

Via Nomentana 60.

Como chegar: o metrô mais próximo é a parada Bologna, da linha B. Dali são uns 10 minutos de caminhada.

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5 thoughts on “Memórias de guerra: Roma e o bunker de Mussolini na Villa Torlonia

  1. Oi, Luciana. Vi no site que não há disponibilidade de tour em outro idioma nos dias em que estarei em Roma e nem eu nem minha noiva falamos italiano. Qual tua opinião: mantenho o passeio ou desisto porque não vou conseguir aproveitar?

    1. Eu acho que vocês não vão aproveitar as explicações, e elas são bem fundamentais para curtir o passeio. Um abraço, L.

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