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Como (não) ser au pair na Itália?

Apesar do Roma Pra Você ser um blog de viagens, e com um nicho bem definido, hoje vou sair da minha zona de conforto para bater um papo bem realista sobre como ser au pair na Itália! Oopsss… queria mesmo era dizer: como não ser au pair na Itália.

Sim, tenho plena consciência que hoje entrarei para a categoria de destruidora de sonhos. Vamos lá!

O que é uma au pair?

Se você chegou até aqui procurando informações sobre ser au pair na Itália, já deve saber que a ragazza alla pari (tradução de au pair em italiano), geralmente é uma oportunidade de intercâmbio cultural para jovens de 18 a 30 anos. São jovens em busca de uma troca igualitária com uma família, por isso o termo au pair. Em troca de moradia, alimentação, um pequeno salário e oportunidade de aprender a língua e cultura locais, o(a) jovem cuida de crianças e, em alguns casos, adolescentes, e também ajuda nas tarefas domésticas ligadas às crianças (preparar comida, cuidar das roupas, ajudar no dever de casa, etc.)

Até aí é fácil, né?

Mas por que é complicado impossível ser au pair na Itália?

Existem três fatores importantes ligados entre si:

  • Ausência de programa regulamentado por lei para ser au pair na Itália;
  • Não existindo um programa regulamentado não existe visto especial para au pair;
  • Devido à ausência de leis para ser au pair na Itália, quem não possui cidadania italiana, fica à mercê das leis de imigração, como todos os demais imigrantes e categorias de trabalhadores.

Mas vamos por partes:

Ausência de programa regulamentado por lei para ser au pair na Itália:

Muitos países como, por exemplo, os Estados Unidos e a França, possuem programas específicos para que as famílias locais possam convidar um(a) jovem estrangeiro(a) e hospedá-lo(a) como au pair. Na Itália não existe uma lei. Portanto, se você entrar em contato com uma família, e essa família disser que quer lhe contratar, eles não podem entrar com pedido de visto de au pair. Consequentemente não podem fazer um contrato de au pair.

Facilidade para quem tem cidadania europeia

Tudo pode mudar se o(a) jovem estrangeiro(a) possuir cidadania europeia. Por quê? Como os cidadãos europeus podem circular livremente e trabalhar em qualquer país da União Europeia, se você tiver cidadania italiana, portuguesa, francesa, alemã, etc. pode conversar e contatar famílias, entrar na Europa com seu passaporte europeu e ser empregado como babá na casa dessa família. Mas preste bem atenção: como não existe contrato regulamentado e nem lei para ser au pair na Itália, você terá um contrato de babá ou de doméstica. Por isso, todas aquelas garantias que uma au pair tem (horário flexível, um quarto, um carro somente para si) terão que ser contratadas sem um respaldo de categoria profissional. Antes de viajar, se informe sobre os honorários da profissão de babá e de doméstica.

Clique para ser direcionado a alguns sites com honorários das domésticas e cuidadoras:

Colf e Bandanti Online (Site do sindicato das empregadas domésticas, cuidadoras e babás)

Site do Patronato ACLI: aqui informam que o salário da baby sitter que mora com a família é de € 738,23

Stranieri in Italia: portal pioneiro com informações para os estrangeiros na Itália. Há um fórum onde os estrangeiros se ajudam e batem papo.

Sobre ser au pair na Itália: o que vejo e o que ouço

Moro na Itália desde 1999 e, quando me mudei para cá, para efetivamente terminar meus estudos universitários, também me iludi com a possibilidade de ser au pair. Naquela época muitas famílias tinham a vaga ideia que a au pair era “uma moça que você hospeda, dá um trocados, e que aceita ganhar pouco porque vai ter casa e comida”.

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A família quer mesmo uma au pair, ou também procura por uma doméstica que faça tudo: lave, passe, cozinhe e cuide das crianças?

Muitos anos depois, acho que a ideia da maioria dos italianos ainda é a mesma! Não sou uma pessoa pessimista! Acredito que existam três categorias de famílias italianas que procuram uma au pair:

Categoria 1: Famílias internacionais: Existe uma grande quantidade de embaixadas, sede da ONU, do WFP, Embaixadas na Santa Sé, escolas e universidades internacionais. Muitas famílias procuram jovens que possam educar seus filhos na língua materna da própria família, ou em línguas como inglês, francês e alemão.

Categoria 2:  Famílias italianas de classe média e alta que querem que seus filhos possuam a chance de aprender uma língua desde pequenos, mas, a maioria procura por inglês, francês e alemão.

Acredito que nos dois casos acima exista realmente um grande interesse de intercâmbio cultural, mas, além do português não ser muito requisitado, mesmo que um(a) brasileiro(a) saiba perfeitamente inglês, francês e alemão, ele terá a enorme concorrência de jovens europeus que falam essas línguas desde o berço. Daí a concorrência é desleal!

Categoria 3: Famílias que aceitam au pair de qualquer língua desde que tomem conta das crianças e arquem com as tarefas domésticas: geralmente essas famílias não fazem muita diferença entre uma babá e uma au pair, ou seja, elas procuram a força-trabalho e (possivelmente) a baixa remuneração, e dane-se o intercâmbio cultural.

Como a família italiana faz para convidar como babá e assinar a carteira?

Todos os anos sai o decreto flussi (decreto de fluxo imigratório). Geralmente esse decreto estipula um teto máximo de estrangeiros que a cada ano podem ser convidados para trabalhar na Itália. Existe um número para cada categoria de trabalhador. Exemplo: de um total de 20000 estrangeiros até 200 jogadores de futebol e trabalhadores do show-business, até 5000 trabalhadores domésticos, até 1000 pesquisadores e professores universitários, até 1000 empresários, até 1000 profissionais da área de saúde (médicos e enfermeiros), até 8000 trabalhadores temporários (geralmente vistos para quem vem trabalhar na lavoura durante a época da vindima, colheita das oliveiras, etc.).

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O cartaz diz: “Procura-se escravo”. Faz alusão às condições dos trabalhadores temporários (lavoratori stagionali) que trabalham nos hotéis da costa italiana. Tenha sempre cuidado com as ofertas de trabalho!

Por isso, quando você entrar em contato com uma família e se eles quiserem assinar a sua carteira como babá, perguntem se já saiu o decreto flussi do ano corrente, e fundamentalmente se ainda há quotas para trabalhadores domésticos.

A família envia o pedido para o Ministero degli Interni (tudo é feito online), depois manda documentos, paga taxas e antecipa alguns meses de INPS. E quando o Ministero der a permissão, o empregador deve enviar todos os documentos para que você peça seu visto junto ao consulado brasileiro da sua jurisdição.

Uma questão importante: esse decreto foi feito para que o empregador convide alguém de fora para trabalhar aqui. Então, por exemplo, o decreto de 2016 não autorizou aproveitar essas quotas de estrangeiros para colocar em dia a situação de quem já estava aqui como ilegal.

E se eu entrar na Itália como turista e depois a família assinar a minha carteira?

Olha a encrenca… primeiro porque um turista não pode trabalhar, e uma estadia como turista tem duração de 90 dias. A família poderá jurar de pés juntos que vai assinar a sua carteira, mas isso não dependerá exclusivamente da boa vontade deles.

Seria necessário esperar um decreto di regolarizzazione (decreto de regularização). Esse decreto é uma espécie de anistia, feito de tempos e tempos, para colocar em dia quem está aqui ilegal.

Os últimos decretos foram em 2009 e 2012. Até a data de hoje (31 de agosto de 2016) não há nenhuma programação de regularização para 2016.

Mesmo depois que o empregador envia todos os documentos e paga antecipadamente alguns meses de INPS e direitos trabalhistas, ainda pode passar pelo menos um ano até que seja dada a resposta positiva para o empregador poder assinar a carteira do trabalhador.

Pense bem nisso!

Uma reflexão sobre (não) ser au pair na Itália

Não há garantias, não há regulamentação. Já existem milhares de cidadãs de outros países (e até italianas) também procurando/oferecendo trabalho como babás. Por isso, a experiência de au pair, que justamente pode ser uma chance para morar em outro país e se enriquecer culturalmente enquanto estuda uma língua, pode se transformar na experiência de ser apenas uma mão-de-obra barata.

Boa sorte!

Blogs com depoimentos de brasileiras que vieram para cá com o desejo de ser au pair:



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2 thoughts on “Como (não) ser au pair na Itália?

  1. Boa tarde, muito bacana seu site, parabens. Precisava perguntar algo em in box erria possivel me passar um email, se nao for incomodo eh claro.

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